quinta-feira, 30 de junho de 2011

Especificações


Ao projetar um espaço, o arquiteto consegue imaginar e entender como vai funcionar o ambiente, e os materiais que devem ser utilizados. O problema é que os clientes e os responsáveis pela execução do projeto não tem a mesma visão que o arquiteto, e decidem fazer paredes, revestimentos, portas e janelas por conta própria, o que acaba por modificar parcial ou completamente a idéia original concebida pelo arquiteto, além de gerar inúmeros problemas por se comprar matérias inadequados, de má qualidade ou tamanhos incompatíveis com o local projetado. Muitas vezes acaba sendo necessária a troca de materiais gerando custos ainda mais elevados para o cliente.
 Isso acontece frequentemente por conta da falta de especificações dadas pelo arquiteto.  Assim percebemos a importância de se especificar os materiais e até mesmo os métodos construtivos a serem utilizados. Cada projeto tem necessidades particulares quanto aos revestimentos e demais materiais, e é função do arquiteto mostrar essas necessidades ao cliente para evitar custos adicionais ou transtornos para ambas as partes.
 Nas especificações, devem constar os tipos de materiais, com suas informações técnicas e propriedades (dimensões, cor, etc.), explicações sobre a aplicação do material, exemplificar com catálogos de marcas de boa qualidade para que o cliente saiba aonde encontrar os materiais especificados. Lembrando que cabe ao arquiteto trabalhar dentro dos limites do orçamento previsto para o projeto.


Materiais - TERRA




A terra é um material natural, retirada dos mais diversos tipos de solo, onde em cada tipo de solo encontram-se tipos diferentes de terra. Os principais tipos de solo encontrados são o solo residual (originado do intemperismo das rochas, permanecendo no local de formação), solo sedimentar (originado do intemperismo das rochas, é transportado pela natureza para lugares distintos), solo orgânico (composto de restos de organismos animais ou vegetais é gerado a partir da atividade de microorganismos).
O tipo de terra delimita o campo de utilização da mesma em diferentes técnicas construtivas, pois suas possibilidades de uso dependem de suas características especificas. As terras arenosa, arenosa-siltosa, areno-argilosa, silto-argilosa, podem ser utilizadas em tijolos prensados, adobe e terra compactada; a siltosa é de difícil uso, facilitada por acréscimo de aglomerante; as argilosa com pedregulho, argilo-arenosa, argilo-siltosa são usadas em terra compactada ou tijolo prensado com aglomerante; a argilosa tem possível uso no fabrico de adobe adicionado de fibras e com uso de barreamento de técnicas mistas.
                O solo pode ser utilizado como parte da técnica construtiva ou mesmo como partido arquitetônico de uma edificação, este pode também ser modificado a fim de adequar-se ao projeto. Algumas das técnicas que são feitas no solo são os aterros, terraplanagem, corte e aterro, talude, sondagem, escavação, compactação, drenagem, melhoramento do solo.

As principais propriedades que devem ser observadas na terra são granulometria, plasticidade, compressibilidade, coesão. A qualidade final de uma obra arquitetônica construída em terra depende, em grande parte, da qualidade da matéria prima escolhida.
 As características do solo podem variar de acordo com sua composição, e com seus constituintes integrantes como quantidade de matéria orgânica, presença de óxido de ferro, silte e argila, entre outros. Algumas das características mais importantes de serem observadas são a cor e o cheiro, porosidade, brilho, e aderência.



                O uso da terra na construção traz como vantagens a capacidade de regular a umidade e a temperatura,economizar energia,reduz a contaminação ambiental,é reutilizável ,economizar materiais de construção e transporte,é apropriado para auto-construção,preserva a madeira e outros materiais orgânicos,filtra contaminantes. A desvantagem é que, não é um material padronizado, se contrai ao secar, não é impermeabilizado.

As principais técnicas que utilizam como base a terra são:

ADOBE: é uma técnica que utiliza o barro – argila – e uma pequena quantidade de areia como matéria prima para criar blocos de barro. possibilita também a inserção de outros componentes como a palha, o esterco, sabugos de milho,  emulsão de asfalto ou óleo queimado, esterco, capim.


SUPERADOBE: São sacos ou tubos confeccionados em polipropileno preenchidos  com terra (20% de umidade). Esse material é empilhado e socado, para que haja compactação da massa de terra e rigidez da estrutura, formando paredes estruturais.




REBOCO NATURAL: Mistura de barro e palha que pode ser usada tanto no acabamento de construções em terra, como acabamento em paredes de materiais convencionais.

STRANGLEHM: O solo usado nessa técnica deve ser rico em argila, recomendado que tenha cerca de 15% de agrina na sua composição. Utilizam-se blocos de terra sobrepostos para formar uma parede.


TAIPA: é um processo de construção que consiste em produzir um bloco monolítico de barro cru, com ou sem estrutura de madeira por dentro. Pode ser executado de três maneiras diferentes:

TAIPA DE PILÃO: a massa de terra é compactada em duas fôrmas de madeira alongadas, que servem como molde para as paredes, por um processo de apiloamento.



TAIPA LEVE: usada apenas em divisórias internas. As paredes são preenchidas com uma grande quantidade de fibras vegetais, e recebem um tratamento externo com barro.

TAIPA DE MÃO: também conhecida como pau-a-pique, é uma técnica construtiva antiga que consiste em barro aplicado num entramado de madeira e/ou bambu. Com esta técnica, as aberturas de janelas e portas são feitas depois que a estrutura da parede está pronta.




PÃES DE BARRO: Técnica que consiste em moldar bolas de terra úmida uma a uma, deixando um buraco feito com os dedos na face exterior. Nesta técnica, a argamassa é colocada posteriormente em ambos os lados da parede.


SOLO-CIMENTO: é uma mistura homogênea e compacta de solo, cimento e água.





VISITA LABEME – (23/05/2011)
Alunas:  Nataliene Silva dos Santos
               Mayara Dantas de Aragão
Apoio: Tales Targino Torres
Técnico em laboratório: Ricardo Luiz de Carvalho
Disciplina: Pesquisa aplicada à engenharia.

Tijolo Solo-Cimento
Dados:
Peso da cumbuca cheia – 1,885 kg (barro+material)
Traço – 1:2


Pó de brita – 5 cumbucas
Barro – 10 cumbucas




Mistura-se pó de brito ao barro.
Acrescenta-se cal (para economia de cimento).
É  adicionado o cimento e depois misturado.



Mistura-se a água, que deve ser bem distribuída.
Por fim verifica-se a consistência.



Após é feita a cura do tijolo, que é armazenado por 28 dias até adquirir resistência.
Foram fabricados 3 tijolos com a quantidade escolhida.


PATOLOGIAS

Intempéries - Rápida degradação do material.
Umidade nas paredes – Perda da coesão do material constituinte das paredes de terra.
Umidade através do solo por capilaridade – Consequência da ascensão de água por efeito de capilaridade. Ocorre através da estrutura porosa em decorrência da umidade presente no solo.
Fissuras de retração – Pode ser causada por problemas construtivos como secagem rápida, muita argila na composição ou mesmo a falta de um melhor controle de qualidade.
Patologia estrutural – Causada por tração e flexão solicitados, ação da água comprometendo a resistência do material, material assentado sobre terreno que não suporta as cargas transmitidas, má-concepção projetual -  como subdimensionamento das fundações -, sobrecarga na cobertura, terra inadequada  a técnica construtiva, falha de execução etc. Podendo originar recalques, fissuras e trincas.
Umidade na base da parede externa: formação de bolor.

Foto de patologia em obras de terra (adobe) por solicitações simultâneas e isoladas atuantes na edificação.
 Desprendimento da estrutura de vedação e    revestimento - Capela do Bom Jesus da Pobreza – Tiradentes, Minas Gerais.
Para evitar patogenias, primeiramente, considera-se a escolha correta da matéria prima, independente da técnica a ser utilizada.
Em relação a umidade, considera-se um acabamento uniforme, boas fundações, cobertura adequada, solo bem compactado (relação parede e solo), entre outros.
E para evitar falhas estruturais deve-se fazer um escolha adequada do local de implantação, modulação do projeto com preferência para formas circulares e quadrangulares, execução de fundação correta, coberturas leves – para evitar carga sobre as paredes –, respeitar espessura mínima para parede, vãos e altura relativas ao material (40 cm para paredes, com altura não devendo ultrapassar 6 vezes a espessura da parede, vãos entre dois elementos verticais não superior a 3m, parede com comprimento inferior a 8 vezes sua espessura entre dois elementos verticais), qualidade na execução, etc.


QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS
Uma das principais vantagens da construção de terra está nas questões socioambientais.
No que diz respeito ao social, a terra seria o material ideal para que se contruisse habitações populares, primeiro pela sua abundancia no planta, segundo por baratear consideravelmente processos de autoconstrução. Contudo a terra não tem uma boa aceitação social, exatamente por estar ligada a imagem de habitações populares improvisadas e de baixo padrão.
Contudo, as novas técnicas de contrução em terra permitem construir obras com alta qualidade, baixo custo e atendendo ao gosto formal atual.



Mesmo sendo um dos mais velhos materiais, a terra continua a ser objeto de estudo e inovação técnica.


Bambu:
O uso do bambu na construção civil é uma antiga tradição de muitos povos. O nosso continente é o segundo em quantidade de espécies.
O bambu (planta da sub-família Bambusoidae) leva 4 anos para atingir seu amadurecimento ideal para ser usado em construções civis.




PROPRIEDADES MECÂNICAS
Por ser considerado um excelente material devido a suas características estruturais, o bambu tem sido bastante procurado. Sua relação resistência/peso é mais vantajosa do que da madeira, admitindo maior flexão que a maioria dos materiais.
Compressão

O ensaio de amostras do bambu é, normalmente, feito com o uso de um pedaço da vara. Por possuir alta flexibilidade, o bambu tende a ter uma maior flambagem lateral. Recomenda-se o uso de peças de travamento para diminuição do momento exercido sobre a peça.

Tração
Flexão

Torção: Devido ao seu formato cilíndrico o bambu responde bem a torção. Contudo suas fibras se descolam facilmente, e esse descolamento por ser prejudicial ao sistema de tensão, causando a diminuição da resistência a torção.
Cisalhamento e esmagamento:
A força de cisalhamento no bambu é paralela ao sentido das fibras. Esse é o ponto fraco do bambu . O uso de um sistema de secagem mais adequado faz com que a perda da umidade no bambu seja feita controladamente, aumentando os valores de cisalhamento e impedindo que a peça fissure facilmente.


CORTE

O melhor período para a colheita do Bambu é o seco, quando seu desenvolvimento está reduzido ou paralisado. Serão cortadas as maduras e com coloração amarelada.
Recomenda-se o uso de um facão afiado ou de serra para evitar que o bambu rache. O corte deve ser feito a no mínimo 30 cm do solo, logo acima de um dos nós, não permitindo assim a entrada de água das chuvas.

CURA
A cura tem como objetivo diminuir o teor de umidade e concentração de amido do bambu. A partir da eliminação da seiva, o bambu fica menos propenso a ataques de insetos.
Cura na mata
Se aplica uma solução de DDT no extremo recém cortado e o bambu não deve encostar no solo. Conserva a cor natural e evita manchas e rachaduras.
Cura por imersão
Tem duração de 30 dias; As varas ficam imersas em água e devem ser viradas de tempos em tempos. Depois levam 10 dias para secar.


SECAGEM:
Secagem ao ar livre:
A secagem pode variar em média 2 meses, podendo variar segundo as condições de temperatura; ventilação e umidade relativa do ar.
Secagem ao fogo:
Utilizada para endireitar peças tortuosas.
Deve-se, em seguida, submeter o bambu a raios infravermelhos, que dará brilho a superfície sem perda de flexibilidade.
Secagem em estufa:
Processo de maior custo. Mais rápido e eficiente para se obter teores de umidade desejados. Leva de 2 a 3 semanas.
TRATAMENTO:
Feito de maneira adequada, possibilita melhor desempenho e maior durabilidade.
Existem três pontos vulneráveis de bambu:
- Apodrecimento por fungos
- Ataque de insetos
- Rachaduras
PROCESSOS DE TRATAMENTO:
Tratamento químico: Utilização de sulfato de cobre, ácido bárico, cloreto de zinco, dicromato de sódio.
Boucherie: Pressurização dos ácidos através dos culmos e fibras do bambu.
Tratamento por transpiração das folhas ou substituição de seiva: Submersão do bambu em solução química que vai substituir a seiva (De 1 a 2 semanas em recipiente com 30 a 60cm de profundidade).
Tratamento por pressão hidrostática: Duração do tratamento 5 a 6 dias. Essa pressão hidrostática substituirá a seiva.
Tratamento pelo método de impregnação por imersão
Tratamento por banho quente

Formas de utilização:
O bambu possui em uso bastante diversificado. Pode ser utilizado para citar alguns exemplos:
Mobiliários, utensílios domésticos, construção civil, etc.
Na construção civil o bambu é utilizado praticamente em todas as etapas construtivas, exceto a fundação.

Principais elementos construtivos:
-Sistema de coberta




-Forros

-Pilares

-Vigas e treliças


-Lajes

-Vedações

-Pisos

-Marquise





-Revestimentos

-Esquadrias

-Escadas

-Brises


Bambu e outros materiais:
+        Argamassa: Evita grandes variações dimensionais
+        Concreto

+        Terra:

+        Fibras: 

Aplicação em habitações populares:
“Disponível em quase todo o mundo, adequado a construções de baixo cust, o popular bambu pode ser integrado à produção moderna de edificações e estruturas” (Cf. MARQUEZ, 2006)
O Brasil possui espécies de bambu mais indicadas para a construção, sem contar cm a redução dos gastos energéticos.

Vantagens:
Boa resistência, leveza, fácil manuseio, grande proliferação em plantações e seu caráter de material renovável
FLEXIBILIDADE E RESISTÊNCIA:
 Com alta flexibilidade a resistência de suas fibras, o bambu é uma
 planta utilizada também no desenvolvimento de habitações à prova de terremotos;
TRAÇÃO:
A resistência apresentada pelo bambu à tração é maior do que a da madeira e do
concreto, sendo superada apenas pelo aço
LEVEZA:
 Ao analisarmos as relações entre peso específico e resistência à tração do bambu,
 podemos chegar a conclusão de que este possui uma alta eficiência estrutural,
 melhor até do que os materiais estruturais mais usuais.
RÁPIDO CRESCIMENTO:
 O bambu é a planta que cresce mais rápido, podendo crescer até 25 centímetros por dia.
Algumas espécies completam seu crescimento em 40 dias
CUSTOS:
Pode reduzir em mais de 30% o custo final da construção. Além disso, existe a possibilidade de que o dinheiro daquele custo fique 100% na região.
SUSTENTABILIDADE:
Baixo consumo de energia para sua construção; o uso de materiais renováveis pela natureza; uma gramínea contemplada como agente de alta capacidade na redução do dióxido de carbono na atmosfera,
sendo o maior consumidor de gás carbônico do reino vegetal
VERSATILIDADE:
Mais de 1000 usos já foram catalogados para o bambu.
DURABILIDADE:
Se tratado adequadamente, o bambu apresenta durabilidade superior a 25 anos, equivalente à do eucalipto.

Desvantagens:
Flexão; preconceito; não-normatizado; pragas; sem-padronização; mão-de-obra não especializada
FLEXÃO:
o bambu não suporta. Senti facilmente esmagado. Para amenizar, preenche-o com concreto,
principalmente nos pontos de amarração.
PRECONCEITO:
não ser tradicional como material para construção no Brasil; Pelo desconhecimento, e
 pelo uso indevido esta matéria-prima é tida erroneamente como um material frágil.
AUSÊNCIA DE NORMAS TÉCNICAS:
Um dos maiores entraves que impedem um melhor conhecimento das características do bambu refere-se à ausência de normas técnicas para a realização dos ensaios, e para a interpretação dos resultados obtidos. Desse modo, torna-se muito difícil comparar as diferentes espécies estudadas pelos pesquisadores.
SUSCEPTIBILIDADE AO ATAQUE DE INSETOS:
São altamente susceptíveis à deterioração por ataque de insetos e fungos.
inseto alimenta-se do amido do bambu.
FALTA DE PADRONIZAÇÃO:
Por ser um material natural, a padronização dos colmos é impossível, o que,
algumas vezes, pode dificultar a utilização do bambu na construção.
AUSÊNCIA DE MÃO-DE-OBRA:
Apesar do manuseio do bambu ser fácil, é necessário que se haja um treinamento para que os profissionais possam executá-lo. A falta deste treinamento torna a mão-de-obra especializada quase inexistente.
Patologias:
Pragas – As juntas na devem ter frestas nem buracos que facilitem a proliferação de animais.


Dinoderus minutu, caruncho do bambu.     -  Células com Amido
Fonte: OLIVEIRA,2006  e TEIXEIRA,2006
Cisalhamento: Pode acontecer na utilização dos parafusos para união e fixação das peças.
Fissuras e esmagamento: