A terra é um material natural, retirada dos mais diversos tipos de solo, onde em cada tipo de solo encontram-se tipos diferentes de terra. Os principais tipos de solo encontrados são o solo residual (originado do intemperismo das rochas, permanecendo no local de formação), solo sedimentar (originado do intemperismo das rochas, é transportado pela natureza para lugares distintos), solo orgânico (composto de restos de organismos animais ou vegetais é gerado a partir da atividade de microorganismos).
O tipo de terra delimita o campo de utilização da mesma em diferentes técnicas construtivas, pois suas possibilidades de uso dependem de suas características especificas. As terras arenosa, arenosa-siltosa, areno-argilosa, silto-argilosa, podem ser utilizadas em tijolos prensados, adobe e terra compactada; a siltosa é de difícil uso, facilitada por acréscimo de aglomerante; as argilosa com pedregulho, argilo-arenosa, argilo-siltosa são usadas em terra compactada ou tijolo prensado com aglomerante; a argilosa tem possível uso no fabrico de adobe adicionado de fibras e com uso de barreamento de técnicas mistas.
O solo pode ser utilizado como parte da técnica construtiva ou mesmo como partido arquitetônico de uma edificação, este pode também ser modificado a fim de adequar-se ao projeto. Algumas das técnicas que são feitas no solo são os aterros, terraplanagem, corte e aterro, talude, sondagem, escavação, compactação, drenagem, melhoramento do solo.
As principais propriedades que devem ser observadas na terra são granulometria, plasticidade, compressibilidade, coesão. A qualidade final de uma obra arquitetônica construída em terra depende, em grande parte, da qualidade da matéria prima escolhida.
As características do solo podem variar de acordo com sua composição, e com seus constituintes integrantes como quantidade de matéria orgânica, presença de óxido de ferro, silte e argila, entre outros. Algumas das características mais importantes de serem observadas são a cor e o cheiro, porosidade, brilho, e aderência.
O uso da terra na construção traz como vantagens a capacidade de regular a umidade e a temperatura,economizar energia,reduz a contaminação ambiental,é reutilizável ,economizar materiais de construção e transporte,é apropriado para auto-construção,preserva a madeira e outros materiais orgânicos,filtra contaminantes. A desvantagem é que, não é um material padronizado, se contrai ao secar, não é impermeabilizado.
As principais técnicas que utilizam como base a terra são:
ADOBE: é uma técnica que utiliza o barro – argila – e uma pequena quantidade de areia como matéria prima para criar blocos de barro. possibilita também a inserção de outros componentes como a palha, o esterco, sabugos de milho, emulsão de asfalto ou óleo queimado, esterco, capim.
SUPERADOBE: São sacos ou tubos confeccionados em polipropileno preenchidos com terra (20% de umidade). Esse material é empilhado e socado, para que haja compactação da massa de terra e rigidez da estrutura, formando paredes estruturais.
REBOCO NATURAL: Mistura de barro e palha que pode ser usada tanto no acabamento de construções em terra, como acabamento em paredes de materiais convencionais.
STRANGLEHM: O solo usado nessa técnica deve ser rico em argila, recomendado que tenha cerca de 15% de agrina na sua composição. Utilizam-se blocos de terra sobrepostos para formar uma parede.
TAIPA: é um processo de construção que consiste em produzir um bloco monolítico de barro cru, com ou sem estrutura de madeira por dentro. Pode ser executado de três maneiras diferentes:
TAIPA DE PILÃO: a massa de terra é compactada em duas fôrmas de madeira alongadas, que servem como molde para as paredes, por um processo de apiloamento.
TAIPA LEVE: usada apenas em divisórias internas. As paredes são preenchidas com uma grande quantidade de fibras vegetais, e recebem um tratamento externo com barro.
TAIPA DE MÃO: também conhecida como pau-a-pique, é uma técnica construtiva antiga que consiste em barro aplicado num entramado de madeira e/ou bambu. Com esta técnica, as aberturas de janelas e portas são feitas depois que a estrutura da parede está pronta.
PÃES DE BARRO: Técnica que consiste em moldar bolas de terra úmida uma a uma, deixando um buraco feito com os dedos na face exterior. Nesta técnica, a argamassa é colocada posteriormente em ambos os lados da parede.
SOLO-CIMENTO: é uma mistura homogênea e compacta de solo, cimento e água.
VISITA LABEME – (23/05/2011)
Alunas: Nataliene Silva dos Santos
Mayara Dantas de Aragão
Apoio: Tales Targino Torres
Técnico em laboratório: Ricardo Luiz de Carvalho
Disciplina: Pesquisa aplicada à engenharia.
Tijolo Solo-Cimento
Dados:
Peso da cumbuca cheia – 1,885 kg (barro+material)
Traço – 1:2
Pó de brita – 5 cumbucas
Barro – 10 cumbucas
Mistura-se pó de brito ao barro.
Acrescenta-se cal (para economia de cimento).
É adicionado o cimento e depois misturado.
Mistura-se a água, que deve ser bem distribuída.
Por fim verifica-se a consistência.
Após é feita a cura do tijolo, que é armazenado por 28 dias até adquirir resistência.
Foram fabricados 3 tijolos com a quantidade escolhida.
PATOLOGIAS
Intempéries - Rápida degradação do material.
Umidade nas paredes – Perda da coesão do material constituinte das paredes de terra.
Umidade através do solo por capilaridade – Consequência da ascensão de água por efeito de capilaridade. Ocorre através da estrutura porosa em decorrência da umidade presente no solo.
Fissuras de retração – Pode ser causada por problemas construtivos como secagem rápida, muita argila na composição ou mesmo a falta de um melhor controle de qualidade.
Patologia estrutural – Causada por tração e flexão solicitados, ação da água comprometendo a resistência do material, material assentado sobre terreno que não suporta as cargas transmitidas, má-concepção projetual - como subdimensionamento das fundações -, sobrecarga na cobertura, terra inadequada a técnica construtiva, falha de execução etc. Podendo originar recalques, fissuras e trincas.
Umidade na base da parede externa: formação de bolor.
Foto de patologia em obras de terra (adobe) por solicitações simultâneas e isoladas atuantes na edificação.
Desprendimento da estrutura de vedação e revestimento - Capela do Bom Jesus da Pobreza – Tiradentes, Minas Gerais.
Para evitar patogenias, primeiramente, considera-se a escolha correta da matéria prima, independente da técnica a ser utilizada.
Em relação a umidade, considera-se um acabamento uniforme, boas fundações, cobertura adequada, solo bem compactado (relação parede e solo), entre outros.
E para evitar falhas estruturais deve-se fazer um escolha adequada do local de implantação, modulação do projeto com preferência para formas circulares e quadrangulares, execução de fundação correta, coberturas leves – para evitar carga sobre as paredes –, respeitar espessura mínima para parede, vãos e altura relativas ao material (40 cm para paredes, com altura não devendo ultrapassar 6 vezes a espessura da parede, vãos entre dois elementos verticais não superior a 3m, parede com comprimento inferior a 8 vezes sua espessura entre dois elementos verticais), qualidade na execução, etc.
QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS
Uma das principais vantagens da construção de terra está nas questões socioambientais.
No que diz respeito ao social, a terra seria o material ideal para que se contruisse habitações populares, primeiro pela sua abundancia no planta, segundo por baratear consideravelmente processos de autoconstrução. Contudo a terra não tem uma boa aceitação social, exatamente por estar ligada a imagem de habitações populares improvisadas e de baixo padrão.
Contudo, as novas técnicas de contrução em terra permitem construir obras com alta qualidade, baixo custo e atendendo ao gosto formal atual.
Mesmo sendo um dos mais velhos materiais, a terra continua a ser objeto de estudo e inovação técnica.













































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